quinta-feira, 5 de abril de 2012

Apache OpenOffice: quem sabe onde o tempo nos leva?

Traduzi a matéria escrita por Richard Hillesey no LinuxUser Alguns grifos são meus.

Em março, Rob Weir escreveu um post no seu blog intitulado “Onde vai o tempo? (Um olhar na linha de tempo do apache OpenOffice)”, mostrando o lento progresso do Apache OpenOffice através do processo de aceitação da Apache. Richard Hillesey mostras os assuntos...

A Oracle anunciou a doação do código do OpenOffice.org para a Fundação Apache em junho do último ano. Por uma série de razões, principalmente por assuntos relacionados à incubação Apache, migração de código e remoção do copyleft, não houve atualização do código do OpenOffice.org desde então. 

No último mês, a IBM anunciou o lançamento do Symphony 3.0.1, que será “o último lançamento do fork feito pela IBM no código do OpenOffice.org” e declarou que as energias da IBM no futuro serão devotadas ao Apache OpenOffice, do qual a IBM espera lançar sua própria edição, que promete ser “um lançamento idêntico do Apache OpenOffice sob a licença Apache,” com extensões e plugins (principalmente para plugar em outros produtos IBM).

Vale notar que o pleito para liberar o código do Lotus Symphony para a Fundação Apache, feito em julho último, ainda não foi realizado, talvez por conta de problemas decorrentes de uma combinação de desenvolvimento em andamento com licenciamento.

Ocorreram muitas especulações sobre o papel da IBM na doação do OpenOffice da Oracle para a Fundação Apache, e sua decisão de seguir o código na Apache, ao invés de trabalhar com a comunidade no LibreOffice. Costuma-se sugerir problemas de licenciamento para explicar a decisão. Um regime liberal de licenciamento, tal como autoriza a licença Apache, permite que a suíte Office seja um repositório de componentes muito úteis para web-office, ferramentas de gestão de sistemas e data warehousing, com alcance muito além de uma singela suite office, e não há qualquer obrigação de retornar para a comunidade as modificações feitas.

O resultado infeliz é que há agora duas versões da mais famosa suíte de escritório de código aberto, desenvolvida principalmente pelos engenheiros da SUSE e da Red Hat, e um fork Apache que é efetivamente comandado pelos engenheiros da IBM.

O LibreOffice está progredindo vigorosamente, e tem muito mais comitters e commits que o projeto apache. A maioria dos contribuintes do projeto Apache são empregados da IBM, e o LibreOffice aparenta ter atraído mais do que somente os antigos empregados da Oracle/Sun. O núcleo dos contribuintes do LibreOffice que não são empregados da SUSE e Red Hat são membros de uma comunidade mais abrangente. Ao mesmo tempo, a remoção do código licenciado exclusivamente sob copyleft do Apache OpenOffice, necessitou que se remova ou substitua muitos recursos, tais como filtros (libwd), renderização de textos complexos com Graphite2, remoção do suporte ao webdav, solver do Calc, importação de PDF, importação do formato wordperfect, e o gerador de relatórios de banco de dados, a integração com os ícones do desktop está degradada e a verificação ortográfica teve de ser substituída com a perda do hunspell.

Um curioso efeito colateral desse processo é que a comunidade de desenvolvedores que licenciou seu código sob LGPL, mas atribuiu o copyright para a Sun Microsystems, se vê agora com seu código re-licenciado contra sua vontade, para a licença Apache, que pode significar que será absorvido por ofertas em código proprietário e fechado.

Em contrapartida, o pessoal IBM sugere problemas de patentes no código do LibreOffice: “Uma das coisas que não devemos esquecer é que o Symphony fez a remediação da propriedade intelectual em vários níveis... mas eu sei com certeza que consertamos coisas que o LibreOffice não viu (falo de patentes, não das dependências da licenças MPL/LGPL)”. Não há uma palavra sobre que patentes está se referindo ou possam ser, ou se os problemas são reais.

Enquanto o LibreOffice progride firmemente, é difícil antecipar quando o lançamento do Apache OpenOffice estará disponível para as pessoas brincarem, para comparar e contrastar com o projeto da comunidade.

Até foi sugerido que o OpenOffice pode falhar no processo de incubação, que induz o código para dentro da Fundação Apache. Nem todos os contribuintes do Apache estão satisfeitos com a doação da Oracle para a Apache e debandada da comunidade que trabalhou no código pelos últimos dez anos. O abandono da comunidade ecoou na doação do projeto Hudson para a o Eclipse e o abandono do fork Jenkins do Hudson - “Dos cochichos ouvidos na ApacheCon, o OpenOffice nunca deixará de ser um projeto incubado. A intenção pode ser de fazer uma auditoria em profundidade e produzir um derradeiro lançamento, limpo, que possa ser absorvido pelo LibreOffice” A divisão foi um desperdício e não favoreceu ninguém. Não será um desastre se o projeto Apache OpenOffice falhar na incubação, e a IBM se juntar com a Intel e apoiar o LibreOffice, mas ninguém está antecipando isso para breve.

Por enquanto, o LibreOffice está com vento de popa, e o projeto IBM está no seu rastro.

Um comentário:

  1. A IBM não se cansa de representar esse papel... Começou com o discurso de apoiar o desenvolvimento do Linux, mas nunca citou que foi o Linux que devolveu-lhe a credibilidade e que graças a ele, parou de jogar fortunas no ralo, que investia em P&D de seus sistemas operacionais vetustos e ultrapassados.

    A IBM, por natureza e berço, não tem perfil de Sw Livre. Fui negociar com sua diretoria a abertura do código do OS/2 (então moribundo), passando sua manutenção para o BB que tinha 85.000 licenças (ou seriam 85.000 micos?) e a resposta foi um sonoro "NÃO". Preferiram prejudicar os usuários a abrir o código do S.O.

    Pergunte-lhes qual a melhor suite de escritório: Lotus Symphony, "of course" e o melhor BD, DB2, "obviously". Ou seja, não tenta se ajustar à nova realidade, nem perde a pose, mas seu discurso é ótimo e "easy reading, my dear".

    Em tempo: depois dessa, o BB hoje prefere Sw Livre.

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